Foz ou desembocadura são denominações do local onde um rio deságua. No caso do Doce, a Vila de Regência, no município de Linhares-ES, é ponto de encontro do rio com o oceano Atlântico.
A foz do rio Doce é também conhecida como Delta do rio Doce porque se separa em inúmeros distributários com formação em delta, entre esses cursos d’água formam-se ilhas que são denominadas Ilhas do rio Doce. Nesse trecho, existe um grande volume de sedimentos que por milhares de anos vem avançando em direção ao oceano. Esse arraste de sedimentos aliado ao rebaixamento do nível do mar são os maiores responsáveis pela formação do Delta do rio doce, também chamado de Planície Costeira do Rio Doce. |
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O Delta do rio Doce possui uma grande biodiversidade, abrigando anfíbios, répteis, aves e mamíferos, destaca-se por acolher uma das principais bases do projeto Tamar em Comboios, única praia brasileira onde ocorre a desova da tartaruga de couro (Dermochelys cariacea), animal marinho entre os mais ameaçados de extinção do mundo. |
Sua flora é bem diversificada com mais de 250 espécies já catalogadas. Entre as formas de vegetação encontradas estão a restinga, matas de tabuleiro (mata atlântica de baixada), extensas áreas de brejos, pântanos, além de várias lagoas sendo que, uma das maiores e mais importantes é a lagoa de Juparanã, com 30km de comprimento e cerca de 3km de largura, situada no município de Linhares.
As lagoas do delta do rio Doce se situam hoje onde, há mais de 120 mil anos, se encontravam vales bastante aprofundados pela erosão, quando o mar atingia nível bem abaixo do atual. ”Hoje, estas lagoas estão encaixadas nestas depressões. Com o rebaixamento do nível do mar os vales foram sufocados por um extenso cordão de restinga. Estas mudanças, ao longo de milhares de anos, construíram um barramento natural que retém as águas dos rios e córregos que ali deságuam, formando as lagoas que conhecemos.”, afirma o geólogo Hyercem Santos Machado. |
Lagoa de Juparanã localizada no Delta do rio Doce |
O processo de degradação que vem ocorrendo ao longo do rio Doce, tem provocado o assoreamento do mesmo, diminuindo sua profundidade, e isso também pode ser observado na sua foz, como o surgimento de novas ilhas, que por sua vez são ocupadas e utilizadas como áreas para implantação de atividades agrícolas. Desde o início do século passado houve tentativas de drenagem desta área para aproveitamento agrícola através das obras de engenharia. A princípio, somente as áreas mais elevadas eram ocupadas, a partir dos anos 50 o DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento) realizou estudos e obras de drenagem para viabilizar a exploração da área com atividades agropecuárias. Tais estudos permitiram a construção de vários quilômetros de canais de drenagem e de estradas para a implantação de grandes fazendas voltadas também para a criação de gado, o que viabilizou a exploração de uma imensa baixada inundada periodicamente por enchentes do rio Doce. Este processo alterou significativamente a hidrografia da região, causando o desaparecimento quase total de algumas lagoas na foz.
| A bacia do Doce está passando por um processo de construção da integração que envolve o CBH-Doce, os comitês de bacias afluentes e os órgãos gestores de água. Em função disso, existe a necessidade de afinar os discursos em relação à área de abrangência da foz do rio Doce. A redefinição da área de abrangência da foz do Doce é uma das atividades do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Doce que incorporou a Bacia do rio Barra Seca. | ![]() |
A região da foz do rio Doce é classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como de Alta Prioridade para a conservação da biodiversidade costeira e marinha no Brasil. “Para muitos, um rio termina quando chega no mar. Mas nesse encontro iniciam-se muitos ciclos físicos, químicos, biológicos e até culturais. No rio Doce esse fenômeno é tão intenso que é chamado de Rio-Mar”, afirma o oceanógrafo João Carlos Thomé.
O rio Doce é o único da costa brasileira que não possui um manguezal na região da foz. Segundo especialistas, isso se deve ao grande volume de água que originalmente descia das regiões altas. Além do mais, a posição geográfica da foz faz com que os ventos norte-sul aumentem a força das águas impedindo a entrada da maré no rio, essencial para a formação de manguezais
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