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A Bacia do Rio Doce -> Histórico da Ocupação e Desenvolvimento

Breve Histórico da Ocupação e Desenvolvimento


Foto: Marcelo Sputnik

      Apesar de descoberta em 1501 pelos navegadores portugueses, a bacia hidrográfica do rio Doce teve a sua ocupação iniciada, já em fins do século XVII, em suas cabeceiras. Os bandeirantes, partindo de São Paulo, pelos sertões, descobriram ouro nas cabeceiras dos rios Piracicaba e Carmo.

      Ribeirão do Carmo e Vila Rica, hoje Mariana e Ouro Preto, foram a porta de entrada para a ocupação da bacia. Mas, com o intuito de evitar os "descaminhos do ouro", a Coroa Portuguesa proibiu a navegação no rio Doce. Além da proibição, a mata fechada, a malária e os índios Botocudos, conhecidos por sua hostilidade, fizeram da região uma das últimas a serem ocupadas em Minas Gerais. Até o início do século XX, o vale do rio Doce permanecia amplamente coberto pelo complexo da Mata Atlântica.

      A efetiva ocupação da região somente se deu a partir de construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). Iniciada em 1903 em Vitória, em 1910 chegava ao então pequeno entreposto comercial de Porto de Figueiras, hoje Governador Valadares.

      Na década de 30, a EFVM chegou a Itabira, na bacia do rio Piracicaba, de cujas minas seriam extraídas o minério de ferro a ser exportado via o Porto de Vitória. Em 1937 foi instalada a primeira siderúrgica às margens do rio Piracicaba, a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. Em 1942 foi criada a Companhia Vale do Rio Doce, em Itabira.

      A década de 30 marcou ainda a introdução do capim colonião na região de Porto Figueiras, o que possibilitou a expansão da pecuária. A introdução das pastagens e a forte demanda por carvão para as siderurgias e madeira - tendo na Europa pós-guerra, Estados Unidos e Japão seus grandes consumidores - fez surgir na bacia um importante processo de devastação.

      No início da década de 50 foi inaugurada a rodovia Rio-Bahia, que passa por Governador Valadares, fazendo dali um corredor migratório para as populações da região Nordeste. Além disso, como as terras após a derrubada da mata não se prestavam a muito mais que a pecuária, a cidade de Governador Valadares viveu um inchamento demográfico, chegando a uma taxa de crescimento de 13,3% na década (IBGE).

      Em 1953, também às margens do Piracicaba, foi inaugurada a Companhia de Aços Especiais Itabira - ACESITA. Dez anos mais tarde, poucos quilômetros a jusante, entra em operação a Usina Intendente Câmara - USIMINAS.

      A instalação das siderúrgicas propiciou o surgimento do Aglomerado Urbano do Vale Aço, envolvendo as cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo.

      Na década de 40 foi introduzido na região o eucalipto, como forma de aliviar a pressão sobre as florestas naturais.

      Seguindo o curso de sua história, as fazendas instaladas nas cabeceiras da bacia do Doce, ainda no ciclo do ouro, permanecem sobrevivendo do que produzem.

      Os maciços florestais de eucaliptos na região viabilizaram a instalação, em 1975, da Companhia Nipo-Brasileira - CENIBRA, produtora de celulose, localizada às margens do rio Doce, a jusante da foz do rio Piracicaba, no município de Belo Oriente.

Fonte: ANA, 2001.

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